terça-feira, 17 de março de 2020

Luzienses despedem nesta quarta-feira (18), da saudosa pioneira “Graça Preta”, filha do ‘Sr. Codó’ – O Fundador do Tracuá


Nas primeiras hora da madrugada desta terça-feira (17), devido a complicações de saúde, foi confirmado o falecimento, aos 69 anos, da senhora Maria das Graças dos Santos, a popular ‘Graça Preta’, filha do primaz pioneiro Raimundo Rodrigues dos Santos, o Codó.

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Depois do translado do corpo, que foi liberado no Hospital de Pinheiro/MA, o rito funerário segue na Vila Celeste, na residência da professora e poetiza Cleonice Santos, filha de Dona Graça.

Muitas vezes requisitada por alunos das escolas para narrar sobre os primeiros anos testemunhados pelo embrião da cidade que foi o Povoado Tracuá (hoje a Sede Municipal), a “Dona Graça” foi uma importante fonte oral dos eventos históricos do município, já que, no ano de 1959, a pioneira tinha apenas 9 anos e conviveu com muitos acontecimentos ao lado de seu pai: o ‘Sr. Codó’ (Veja mais)

A partir das 7h. da manhã desta quarta, o corpo será velado também na câmara municipal da cidade, donde seguirá até o Cemitério Santa Luzia (Cemitério Central), às 10h.. "Dona Graça" deixa 6 filhos, 19 netos e 6 bisnetos. QUE A GUERREIRA DONA GRAÇA DESCANSE EM PAZ! 

Segue o poema 'Fundação do Tracuá', elaborado com informações do perfil biográfico do "Sr. Codó", tendo estas sidos repassadas ao moderador deste blog pela filha "Dona Graça Preta" (Fonte: Recanto das Letras/Guather de Alencar - Link: https://www.recantodasletras.com.br/trovas/6454157:


(Minha homenagem a fundação da cidade de Santa Luzia do Paruá-MA)

Na década de cinquenta
sob o agir de um pioneiro
a terra bruta foi a prenda
dada em anos derradeiros

Era o refúgio dos libertos
onde algum tempo fez morada
a paz sedenta que ao certo
"Codó" feliz enamorava

As palhas seca de um ubim
índio, sapé e um roçado
 eis o cenário de um motim
 que se abateu nos deserdados  

Sem reagir, o pioneiro
pediu as terras do Tracuá
e assim tornou-se o primeiro
por entre a prole Pacajá

Em São Luís tal boa nova
selada á voz de um posseiro
marcava em fins de cinquenta
futuro dado aos boiadeiros

Nasceu em paz nova semente
Orvalhecendo num clareiro
boa amizade e alguns presentes
fez triunfar o forasteiro

Terra de índio quase sempre
foi um refúgio de guerreiros 
vemos nas almas descendentes
ainda a face dos primeiros

Quem viu aqui terras sedentas
onde se ergueu tantos celeiros
viu nos cercados mais recentes  
provas de um mundo imperfeito

Sonhou “Codó” indiferente 
mesmo diante de um morteiro
fazer um lugar que realmente
fosse o tal Divino Reino

Anos assim tão penitentes 
 fez reluzir em devaneio
o céu azul e transcendente
na devoção do  pioneiro

 E hoje a santa, sobriamente
luz neste mundo imperfeito      
nomeia a terra que ainda sente
a esperança dos primeiros

De certo veio providente
um dito padre brasileiro
que viu nas posses inocentes
o limiar do Santo Reino 

Pois, se impondo independente
aquele vale por inteiro     
reproduziu em seus valentes
o venho sonho pioneiro

Como negar neste presente
este perfil de lugarejo
onde a fonte descendente
deu alma a prole derradeira?!